Tensão comercial China-EUA derruba ativos globais
China vai impor tarifas de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA a partir de 10 de abril

Nesta sexta-feira, 4, os mercados globais reagiram com forte queda após a China anunciar um pacote de retaliações às tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.
Na Ásia e na Europa, as Bolsas aprofundaram a queda e abriram em baixa demais de -2% nesta sexta em reação ao acirramento da guerra comercial.

A China contra-atacou com tarifas recíprocas de 34%, restrição de exportações de sete tipos de metais raros diferentes, e também controle sobre importações e exportações. Os impactos econômicos ainda são muito incertos. Especialmente considerando que pode não ser o fim desse vai e vem de tarifas.
Por que as Bolsas estão derretendo hoje?
A tensão crescente entre as duas maiores economias do mundo acendeu o alerta entre investidores, refletindo em perdas acentuadas nas Bolsas internacionais. O principal receio é que haja uma escalada ainda maior envolvendo outros blocos econômicos.

Tarifas de Trump e a nova realidade do mercado global
O cenário no mundo mudou. Estamos diante de transformações na geopolítica e nas relações de trocas globais que não apenas podem impactar seus investimentos no presente, como também alterar por completo a forma como você investirá no futuro.
“É necessário reforçar a indústria doméstica. Para isso precisamos taxar importações de setores da economia que desafiam nossos setores estratégicos. Vamos tributar importações de produtos tecnológicos, carros, indústria aérea, tecidos e vestimentas, calçados etc. Essas medidas garantirão que a indústria doméstica prospere e que o país cresça. Com os impostos, iremos aumentar a arrecadação do governo e promover o investimento nacional.”
Não estou parafraseando ninguém no trecho acima. É apenas a minha leitura do discurso do presidente Donald Trump na Casa Branca, no qual ele promove o maior programa de impostos contra importações (e tarifas) da história recente americana.
Trump taxa o mundo — e os próprios americanos
Na última quarta-feira, 2, Trump anunciou seu pacote de “tarifas recíprocas”. O programa anunciado afetará praticamente todos os parceiros econômicos dos EUA.
Nas tabelas abaixo, vemos as tarifas que serão aplicadas em alguns países, assim como os níveis de tarifação desses países em relação aos EUA.

Uma das críticas feitas, com razão, é o modelo de cálculo usado para chegar a esses valores. Eles não refletem as tarifas aplicadas por esses países, e sim o déficit comercial dos EUA perante eles. Onde não há déficit, foi colocado 10%. Ou seja, não é sobre reciprocidade.
Mas o que são essas tarifas? Tarifa é uma palavra menos clara para imposto sobre importação.
Assim como qualquer outro imposto, o objetivo das tarifas é aumentar a arrecadação do estado. O que faz delas um imposto interessante é que podem ser pagas ou pelo produtor estrangeiro (isso inclui empresas americanas que produzem no exterior) ou pelo consumidor americano.
Quanto cada um paga depende muito mais da elasticidade do produto e do poder da empresa de repassar o custo — quanto menos elástico, maior a capacidade de fazer o cidadão norte-americano pagar a conta.
Além de aumentar essa arrecadação, as tarifas geram efeitos negativos à economia. Elas reduzem a eficiência global na produção de bens. Isso porque ignoram as vantagens competitivas produtivas de cada país em prol do protecionismo doméstico. Isso é ensinado na primeira aula de microeconomia em qualquer universidade.
Essa alocação ruim de recursos (trazer para dentro o que poderia ser feito mais barato externamente) causa um efeito de estagnação do valor econômico criado e um aumento de preços — você passa a pagar mais por menos. Mas, o discurso dos advogados do protecionismo econômico é que você “protege” as empresas nacionais da competição mais eficiente de fora. Bonito, não? Salvador da pátria!
Tensões comerciais derrubam ativos globais
Se parasse nesses efeitos acima, os problemas seriam grandes, mas limitados. Porém, não para aí. Toda ação gera uma reação. Países sendo tarifados acabam respondendo com mais tarifas — a União Europeia, por exemplo, já ameaça responder à altura e buscar parceiros econômicos mais confiáveis.
O mercado está enxergando e precificando uma guerra tarifária global. Em uma escala muito maior do que foi no primeiro mandato do Trump com o Trade War contra a China.

O S&P 500 caiu mais de -4% na quinta-feira, 3, enquanto o Nasdaq cedeu mais de -5%. Praticamente todas as bolsas relevantes no mundo fecharam o dia com quedas acentuadas. Tais quedas têm continuidade nesta sexta-feira, dia 4.
Mas não são apenas os mercados de ações que sentiram o impacto. As taxas de juros de 10 anos dos EUA também despencaram. O mercado já passa a precificar cortes de 100 pontos percentuais para os juros do Banco Central americano no ano.
A resposta do mercado ao anúncio do Trump foi clara. Com essas medidas você vai pressionar a inflação e atrapalhar o crescimento. Um cenário de estagflação. Péssimo para a criação de valor no mundo.
O que fazer com os seus investimentos em dias de pânico no mercado?
Ainda pesam inúmeras dúvidas a respeito de como será o desenvolvimento e as respostas a essas medidas. Veremos países negociando tarifas mais amenas, enquanto outros optarão por uma retaliação.
Para quem quer surfar horizontes de investimentos mais curtos, a melhor maneira é ir acompanhando essas respostas e focar onde os impactos serão menores. Ou focar em setores onde a demanda é inelástica e os custos serão repassados para o consumidor americano.
Para quem tem um horizonte de investimento de mais longo prazo, não vejo muito valor em ficar tentando acertar em qual lado da narrativa tentar mergulhar. O mandato dura quatro anos e essas tarifas podem ser descontinuadas a qualquer momento dentro desse período.
Frustrações políticas com um governo que se esforça para destruir valor econômico não são exclusividades do Brasil. O que me lembra o quão atemporal é essa frase da filósofa russo-americana Ayn Rand sobre a influência do governo contra a atividade produtiva das empresas em 1920:
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; Quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; Quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício; Então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".
A nova realidade do mercado exige novas estratégias
O mundo mudou e o mercado já está reagindo. Se você quer entender a fundo os impactos dessas novas tarifas, como se posicionar em meio à turbulência e quais ativos podem se beneficiar desse cenário, temos um convite especial para você.
Nos dias 19, 20 e 21 de maio, vamos reunir os fundadores Renato Breia, Bruce Barbosa e Marilia Fontes, junto a mim e meus sócios em nosso auditório no Itaim Bibi, São Paulo.
Durante três dias intensos, você terá acesso a insights profundos, análises estratégicas e um networking de alto nível para se preparar para essa nova fase do mercado global.
Não fique de fora. Garanta agora o seu lugar. Vamos fechar as últimas vagas ainda esta semana.

