Tarifas de Trump surpreendem mercados e Brasil escapa de impacto maior
Brasil está entre países com menor tarifa imposta por Trump; entenda o que acontece agora

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira, 2, um novo pacote de tarifas sobre produtos importados de diversos países, com alíquotas variando entre 10% e 46%.
A decisão pegou investidores de surpresa, derrubando os mercados no after-market. O movimento foi apelidado de “Dia da Libertação” por apoiadores da medida.
O que são tarifas?
As tarifas são impostos cobrados sobre produtos estrangeiros importados por um país, o que significa que empresas nos EUA devem pagar uma taxa ao governo americano ao adquirir mercadorias fabricadas no exterior.
Quando as tarifas de Trump foram anunciadas?
As primeiras tarifas de Trump começaram em 30 de janeiro de 2025, quando o republicano confirmou a imposição de taxas de 25% sobre produtos do México e do Canadá, além de um aumento de 10% nas tarifas sobre produtos chineses.
No dia 2 de abril, quarta-feira, Trump detalhou seu pacote de tarifas recíprocas que pretende cobrar de produtos importados a partir de abril. Veja abaixo a lista completa.
Países tarifados por Trump e as respectivas taxas
- China: 34% (somando-se a tarifa anterior de 20%, totalizando 54%)
- Vietnã: 46%
- Japão: 24%
- União Europeia: 20%
- Brasil: 10%
- México e Canadá: já estavam sujeitos a uma tarifa de 25%, mas não receberam novas tarifas
- Todos os carros estrangeiros: tarifa de 25% também entrou em vigor
Essas tarifas passam a valer a partir da meia-noite de 9 de abril. Destaque para o Brasil, que acabou ficando entre os países menos taxados por Trump.
Brasil e a tarifa recíproca de 10%
O Brasil foi incluído no tarifaço com uma tarifa de 10% sobre produtos exportados aos EUA, índice considerado brando em comparação com os demais países afetados. A decisão representa um alívio, pois sinaliza que o Brasil não está entre os principais alvos do governo americano.
No entanto, alguns setores da indústria nacional podem sentir os efeitos da medida, especialmente aqueles mais dependentes das exportações para o mercado norte-americano.
Ações de exportadoras caem de olho nas tarifas de Trump
Diante do impacto limitado das tarifas norte-americanas sobre as importações brasileiras, o pregão desta quinta-feira, dia 3 de abril, não registrou uma pressão significativa sobre os ativos brasileiros.
Entre as maiores quedas do Ibovespa, destacam-se as exportadoras, devido, sobretudo, à desvalorização do dólar, que apresentava queda de -0,99%, a R$ R$ 5,60, perto das 13h50.
As ações da Embraer (EMBR3) — uma das companhias com maior exposição ao mercado dos Estados Unidos, responsável por aproximadamente 30% de sua receita — operavam próximas da estabilidade.

China contra-ataca e anuncia tarifas de 34%
A China anunciou nesta sexta-feira, 4, que vai impor tarifas de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA. A medida é a primeira grande retaliação em relação às tarifas anunciadas por Donald Trump na última quarta-feira, 2.
Além das tarifas elevadas, o país asiático ainda anunciou que vai impor controles sobre a exportação de um conjunto de matérias-primas raras para os EUA. Com a escalada de uma possível guerra comercial, as Bolsas globais desabam no dia.
Trump defende medidas como proteção ao trabalhador americano
Durante o anúncio, Trump exibiu um quadro com a lista de países e respectivas tarifas, e afirmou que está “pondo fim à exploração dos americanos”. Segundo ele, as tarifas vão trazer de volta empregos e fábricas para o país.
A administração americana promete compensar os efeitos econômicos com cortes de gastos e desregulamentação.

Contudo, muitos economistas discordam, alertando que o aumento generalizado de tarifas pode pressionar os preços ao consumidor e frear o crescimento econômico. O debate sobre os reais impactos das medidas promete esquentar nas próximas semanas.
Como foram colocadas em vigor tão rapidamente?
Para implementar essas tarifas, Trump assinou três ordens executivas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacionais, de 1977, que permite ao presidente bloquear e congelar transações em resposta a ameaças incomuns e extraordinárias contra os Estados Unidos, declarando assim uma emergência econômica.
Qual foi o argumento para justificar as novas tarifas?
Em postagens do Truth Social, Trump disse que, embora as tarifas "talvez" causem alguma dor aos americanos, elas eram necessárias para afastar o Canadá dos "subsídios" americanos e pressioná-lo a se tornar o 51º estado dos EUA.
Em relação ao México, afirmou que os traficantes de drogas e o governo têm “uma aliança intolerável” que coloca em risco a segurança nacional americana.
A ordem executiva sobre a China diz que o país representa refúgio seguro para organizações criminosas lavarem a receita da produção, envio e venda de opioides sintéticos.
Impactos das tarifas de Trump para os consumidores
As tarifas anunciadas por Trump podem resultar em aumentos de preços para diversos produtos importados, afetando diretamente o bolso dos consumidores. Itens como automóveis, eletrônicos e alimentos provenientes desses países podem sofrer elevações de custo, refletindo nas prateleiras dos supermercados e lojas nos Estados Unidos.
Bolsas caem após Trump anunciar tarifas
O anúncio causou pânico nos mercados financeiros. As bolsas despencaram após o encerramento das negociações do dia 2 de abril, quarta-feira, refletindo o receio de que o aumento das tarifas possa desacelerar o crescimento global.
Empresas que dependem da importação de produtos, como Apple e Nike, sofreram quedas expressivas em suas ações.
A expectativa para a abertura do mercado nesta quinta-feira, 3, é de volatilidade e cautela, com investidores digerindo o impacto das novas medidas. O receio é que as tarifas mais agressivas sobre gigantes como China e UE possam desencadear retaliações e uma nova rodada da guerra comercial.
Juros futuros despencam com tarifa menor dos EUA ao Brasil
Já os juros futuros brasileiros apresentaram fortes quedas em torno de 30 pontos-base nesta quinta-feira, 3, após o anúncio das tarifas de Trump.
Essa reação do mercado reflete a combinação de alguns fatores, entre os quais se destaca o fato de o Brasil ter sido relativamente menos impactado, recebendo a taxa mínima de 10%.
Além disso, vimos um enfraquecimento do dólar perante as demais moedas do mundo, resultando em uma valorização do real (câmbio mais valorizado leva a menos pressões sobre a inflação).
A forte queda do petróleo diante do temor do mercado de uma recessão nos EUA também ajuda nessa dinâmica de queda dos juros futuros.
E, por último, o próprio movimento de queda dos juros futuros americanos (juros curtos caindo entre 12 a 15 pontos-base), o que catalisa o movimento dos juros brasileiros para a mesma direção. Isso porque, teoricamente, menos juros nos EUA levam a uma menor necessidade de juros nos demais países.
Esses efeitos refletem o cenário de maior incerteza sobre a economia mundial.
Setores mais afetados pelas tarifas de Trump
O setor automotivo é um dos mais vulneráveis, já que muitos veículos e peças são importados do México e do Canadá. Além disso, produtos eletrônicos e eletrodomésticos, frequentemente fabricados na China, podem ter seus preços elevados devido às novas tarifas. setor alimentício também pode ser impactado, especialmente em relação a frutas e legumes importados do México.
Na mais recente decisão econômica do presidente, Trump disse disse na quarta-feira, 19 de fevereiro, que anunciará novas tarifas no próximo mês ou antes, acrescentando madeira e produtos florestais aos planos previamente anunciados de impor tarifas sobre carros importados, semicondutores e produtos farmacêuticos.
Como as novas tarifas de Trump afetam meus investimentos?
Ações internacionais
Quando compramos ações, estamos alocando aquele capital que não será necessário no curto prazo. Estamos investindo com uma orientação de pelo menos cinco anos ou mais. Nesses prazos mais longos, as manchetes e narrativas macroeconômicas não resultam em impactos relevantes para as empresas. Especialmente se o filtro para investimentos for de negócios acima da média.
Dito isso, busque encontrar empresas que possuam previsibilidade em relação aos resultados futuros. Dando preferência àquelas que, além da previsibilidade, apresentem crescimento ou tenham a capacidade de repassar os custos da inflação aos seus clientes. Opte, também, por companhias com um histórico positivo de alocação de capital (use o ROIC para quantificar essa avaliação).
No Nord Global, identificamos essas qualidades em diversas posições de nosso portfólio. A TSMC (B3: TSMC34 | NYSE: TSM) e a Meta Platforms (B3: M1TA34 | Nasdaq: META), dona do Facebook, exemplificam essas características de forma clara. Naturalmente, ambas estão sujeitas a riscos inerentes às respectivas teses de investimento. No entanto, trata-se de empresas com alta previsibilidade de resultados e vantagens competitivas robustas e duradouras.
Renda fixa
O início do governo Trump vem sendo marcado por um tom mais brando do que se esperava anteriormente, especialmente ao levarmos em consideração as falas mais duras durante o período de campanha eleitoral.
Outro ponto de acompanhamento em relação ao novo governo é como será a abordagem para as contas públicas. Do início da pandemia (março de 2020) até março de 2022, os EUA apresentaram um déficit nominal médio de 12,3%. Após esse período, houve redução, mas ainda em um patamar não condizente com o histórico do país. Atualmente, esse déficit vem rodando em torno de 7%.
Soma-se a isso o cenário de atividade aquecida e a inflação norte-americana ainda com desafios para desacelerar para a meta de 2,0%, o que justifica a postura mais cautelosa do Fed, o Banco Central dos EUA.
Esse cenário pode gerar volatilidade nas curvas de juros. Por outro lado, juros longos de 4,50% nos EUA representam um patamar elevado que pode trazer oportunidades em um contexto de correção, seja por meio das Treasuries (tesouro americano) ou por bonds (créditos corporativos), cujos spreads ainda oferecem oportunidades. No entanto, devemos acompanhar atentamente os dados de déficits e as próprias sinalizações de Trump sobre a política fiscal.
Criptomoedas
Na nossa perspectiva, tentar “pegar a faca caindo” é uma estratégia arriscada. Não há como prever se a desvalorização continuará ou se haverá uma recuperação significativa. Diante da imprevisibilidade do mercado, é prudente evitar especulações baseadas na tentativa de identificar o momento exato do fundo.
Para investidores de criptomoedas que consideram alocar todo o capital em altcoins, recomendamos cautela e paciência. Caso o mercado continue em queda, uma exposição excessiva pode representar um risco elevado, especialmente em ativos mais voláteis e sensíveis às oscilações do mercado.
Por outro lado, para aqueles que preferem evitar altcoins, este pode ser um momento oportuno para concentrar investimentos em ativos mais consolidados, como Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Solana (SOL). Essas criptomoedas estão em níveis estratégicos de compra e apresentam maior potencial de retorno com menor volatilidade em comparação às alternativas menos estabelecidas.

