Recuperação judicial da Light será 8ª maior da história
A recuperação judicial da Light (LIGT3), se aprovada pela Justiça, será a oitava maior da história no país.
O pedido ocorre apesar de Lei que veda às concessionárias de serviços públicos de energia de recorrer aos regimes de recuperação judicial.
Prejuízo bilionário
O valor da dívida da holding que controla a concessionária Light é de R$ 11 bilhões. Para efeito de comparação, o valor de mercado da Light é de R$ 1,73 bilhão, conforme dados atualizados pelo Status Invest.
No dia 11 de abril, a Light entrou com pedido de Tutela Cautelar na Justiça do Rio de Janeiro para a suspensão temporária de pagamento de suas dívidas.
Depois de passar cerca de um mês negociando com seus credores sem chegarem a um entendimento, a empresa decidiu entrar com o processo de RJ para se proteger.
O processo legal suspende a cobrança de dívidas por parte de credores para que possam ser renegociadas, evitando o encerramento da empresa.
Como a Light acabou em recuperação judicial?
Nos últimos anos, a Light tem sofrido com a escalada da taxa de juros, o aumento da inadimplência e com altos índices de furtos de energia no estado do Rio de Janeiro, como mostra a imagem a seguir.
A Light tem muita perda no Rio de Janeiro, muito maior que na média de outros estados, como São Paulo, Paraná e Minas. Esse problema [perdas de energia] está relacionado a questões sociais e que terminam por tirar muita rentabilidade da empresa.
Além dos prejuízos financeiros com os furtos, a receita da companhia foi impactada com a devolução de créditos fiscais pela cobrança de PIS/COFINS.
Isso, somado aos juros altos atuais e ao mercado de crédito bem restrito, são fatores que contribuem para a situação difícil da distribuidora.
R$ 7 bilhões em títulos da Light
Dos R$ 11 bilhões em vencimentos, R$ 6,8 bi estão com detentores de debêntures e aproximadamente R$ 3,1 bilhões em títulos de dívida no exterior (bonds), R$ 441 milhões em cessão de direitos creditórios, R$ 427 milhões em derivativos, R$ 200 milhões em contrato de empréstimo em moeda estrangeira e R$ 8 milhões em cédula de crédito bancário.
Há um volume relevante de vencimentos de dívida a partir de 2024. Por isso, a urgência em refinanciar sua dívida.
Renovação da Concessão
A concessão da Light SESA vencerá em 2026. A companhia tem até junho de 2023 para sinalizar se pretende renová-la.
Se não ocorrer essa renovação da concessão, a Light receberá o valor devido, mas não terá mais operações. A renovação no Rio de Janeiro é decisiva para a companhia.
Ações caíram 77%
As ações da Light caíram -17,2% na sexta-feira, 12, e encerraram o pregão cotadas em R$ 3,85, após a empresa anunciar que entrou com pedido de recuperação.
Nos últimos 12 meses, o papel acumula queda de -50,8% e de -76,9% no acumulado dos últimos 2 anos.
As empresas da Light
A Light é uma empresa centenária que, atualmente, atende a 31 municípios do Rio de Janeiro, inclusive a região metropolitana.
A empresa atua nos setores de distribuição pela Light Serviços de Eletricidade (Light SESA), geração pela Light Energia e comercialização pela LightCom.
O segmento de distribuição é o mais relevante (aproximadamente 70% do EBITDA).
O que acontece quando a empresa está em recuperação judicial?
Com a recuperação judicial, a prestação do serviço público da Light será mantida.
Outro ponto importante é que a recuperação judicial protege o caixa e a operação da empresa, que terá que elaborar um plano de reestruturação e iniciar a negociação com credores.
Como o grupo tem dívidas que vencem no curto prazo, a RJ pode ajudar a rolar essas dívidas ou buscar mais crédito para se refinanciar.
Em decorrência do pedido de recuperação, as ações da Light serão excluídas de todos os índices da B3 a partir desta segunda-feira, 15.
Vale a pena investir em LIGT3?
A recuperação judicial será determinante para a existência ou não da Light nos próximos meses.
Não se sabe se a Justiça aceitará o pedido por conta de um possível entendimento de que a empresa, como dona de uma concessão de serviços essenciais, não teria direito a esse expediente.
Minha recomendação é ficar de fora, tanto das debêntures quanto das ações.