Dólar hoje dispara mais de 3% e vai a R$ 5,81 após China retaliar tarifas dos EUA

Moeda norte-americana subia 3,15% às 11h39; atingiu R$ 5,81 na máxima; Ibovespa recuava para o patamar de 127 mil pontos.

Christopher Gomes Galvão 04/04/2025 13:45 3 min Atualizado em: 04/04/2025 15:34
Dólar hoje dispara mais de 3% e vai a R$ 5,81 após China retaliar tarifas dos EUA

O dólar registra forte alta frente ao real nesta sexta-feira, 4, diante de um receio global após a resposta da China às tarifas de Donald Trump.

O que está acontecendo com o dólar hoje?

Dois dias após o anúncio de tarifas de importação por Donald Trump a diversos países, o dólar hoje está subindo +3% em relação ao real. Essa forte valorização vem após uma reação tímida do mercado um dia após o anúncio das tarifas. Na quinta-feira, 3, o real havia registrado uma valorização de +0,51%.

Fonte: Bloomberg

Real despenca com guerra de tarifas

Na quarta-feira, 2, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de pelo menos 10% sobre todas as importações a diversos países, com taxas mais elevadas para países com os quais os EUA possuem déficits comerciais significativos, como a China, que enfrentou tarifas de 34%, além dos 20% já anunciados anteriormente. 

Em resposta, nas últimas horas a China retaliou com tarifas de 34% sobre produtos americanos. Essas medidas intensificaram a guerra comercial entre as duas nações, gerando incertezas nos mercados globais e levando investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Dessa forma, não é somente o câmbio brasileiro que está se desvalorizando. No entanto, após a reação tímida na quinta-feira, 3, a moeda vem sendo uma das piores do mundo no pregão desta sexta-feira,4, destacando-se negativamente também entre as piores de países emergentes.

Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Research
 Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Research

Por que o dólar disparou após reação da China ao tarifaço?

Inicialmente, o mercado brasileiro reagiu de forma relativamente positiva ao anúncio das tarifas por parte dos EUA, uma vez que o Brasil foi submetido à tarifa mínima de 10%. Essa situação gerou uma percepção de que o país havia sido relativamente poupado das medidas mais severas, resultando em uma reação tímida do mercado no primeiro momento. 

Contudo, a retaliação da China, anunciando tarifas de 34% sobre produtos americanos, elevou as incertezas em relação ao cenário global, não se restringindo aos Estados Unidos.

Essa escalada nas tensões comerciais aumentou as preocupações com uma possível desaceleração econômica mundial, levando investidores a reavaliarem seus posicionamentos e a buscarem proteção no dólar, o que pressionou sua cotação para cima no Brasil.

Qual a relação entre o dólar e a inflação no Brasil?

A alta do dólar tem implicações diretas na inflação brasileira. Com a alta da moeda americana, produtos e insumos importados tornam-se mais caros, elevando os custos de produção para diversas indústrias. 

Esse aumento nos custos pode ser repassado ao consumidor final, resultando em uma elevação generalizada dos preços, ou seja, inflação. Setores que dependem fortemente de importações, como o de combustíveis e eletrônicos, são particularmente afetados. 

Além disso, a alta do dólar pode influenciar as expectativas inflacionárias, levando o Banco Central a considerar ajustes na taxa de juros como medida para conter a inflação.​

Diante do cenário de dificuldade em desacelerar a inflação doméstica para a meta de 3,00%, movimentos como esse, que aproximam novamente o dólar ao patamar de R$ 6,00, tornam-se um ponto de atenção para o Banco Central.

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