Os juros negativos são uma ferramenta utilizada por alguns países para impulsionar a economia, incentivando o crédito e o consumo. No entanto, essa política apresenta desafios, especialmente para investidores e instituições financeiras. 

Para quem busca investimentos, compreender o seu impacto é essencial para tomar decisões estratégicas e evitar perdas financeiras.

Sumário

O que são juros negativos?

Os juros negativos ocorrem quando a taxa de juros de um país é fixada abaixo de zero, fazendo com que investidores e bancos possam ter que pagar para manter seus depósitos, em vez de receber rendimentos. 

Essa política monetária não convencional é adotada por bancos centrais para estimular o crédito, o consumo e o crescimento econômico.

Ela pode se manifestar de duas formas: 

  • juros nominais negativos: a taxa de juros declarada oficialmente pelo banco central é inferior a zero, tornando o custo do dinheiro negativo;
  • juros reais negativos: ocorrem quando a inflação supera a taxa nominal de juros, resultando em um retorno real negativo para investimentos de renda fixa.

O objetivo dos juros negativos é desestimular a retenção de dinheiro e incentivar empréstimos, investimentos e gastos, promovendo o crescimento econômico.

Como funcionam os juros negativos?

Em um ambiente de juros negativos, os bancos comerciais são cobrados por manter depósitos no banco central, incentivando-os a emprestar dinheiro em vez de guardá-lo. Isso reduz os custos de financiamento para consumidores e empresas, estimulando a economia.

No entanto, essa política monetária também pode levar a desafios, como a dificuldade dos bancos em manter sua rentabilidade e impactos adversos no sistema financeiro.

Como os juros negativos afetam os investimentos?

Para quem investe, essa medida econômica traz mudanças significativas na alocação de recursos:

  • renda fixa menos atrativa: com juros baixos ou negativos, os rendimentos de investimentos tradicionais, como títulos públicos e CDBs, tornam-se insignificantes ou até negativos, desestimulando aplicações nesses ativos;
  • aumento da busca por renda variável: investidores são levados a buscar ativos mais arriscados, como ações, imóveis e fundos de investimento, na tentativa de obter melhores retornos;
  • inflação e perda do poder de compra: se os juros reais forem negativos, o dinheiro perde valor ao longo do tempo, incentivando o consumo imediato e investimentos em ativos reais;
  • efeitos sobre os bancos: instituições financeiras podem enfrentar dificuldades de rentabilidade, pois suas margens de lucro diminuem em um cenário de juros baixos.

Países que já praticaram os juros negativos

Diversos países já implementaram essa política monetária em momentos de desaceleração econômica. Confira alguns deles: 

  • Japão: desde os anos 2000, o Japão mantém taxas de juros próximas de zero ou negativas para combater a deflação;
  • Suécia, Suíça e Dinamarca: esses países também implementaram políticas de juros negativos em diferentes períodos para lidar com desafios econômicos específicos.
  • Zona do Euro: o Banco Central Europeu adotou juros negativos em 2014, buscando incentivar os bancos a conceder mais empréstimos e apoiar a recuperação econômica.

Vale ressaltar que, embora o Brasil não tenha adotado juros nominais negativos, o país viu a Selic atingir mínimas históricas em 2020, chegando próximo de zero para conter os efeitos da pandemia.

Brasil pode adotar juros negativos?

Embora o Brasil nunca tenha adotado oficialmente juros nominais negativos, os juros reais negativos já ocorreram devido à inflação elevada combinada com taxas de juros muito baixas. Em cenários de forte recessão, essa possibilidade pode voltar a ser discutida como uma estratégia para estimular o crescimento econômico.

Diante disso, entender o que são juros negativos é fundamental para avaliar seus impactos na economia e nos investimentos. Essa política pode trazer oportunidades e desafios, tornando essencial o acompanhamento das decisões dos bancos centrais e das condições do mercado.